30 anos de KONE MonoSpace®: a inovação que redefiniu o design dos elevadores

30 anos de KONE MonoSpace®: a inovação que redefiniu o design dos elevadores

Com o testemunho de Paolo Airaghi, Tendering & Solution Director da KONE e Presidente da Comissão Técnica da AssoAscensori.

Published mai-12-2026
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O desafio ao “Sempre se fez assim”

Até 1996, a ideia de um elevador de tração sem casa de máquinas era considerada tecnicamente impossível ou desprovida das margens de segurança necessárias. Quem trabalhava no sector dos elevadores naqueles anos recorda um mundo consolidado, no qual a casa de máquinas era um dado adquirido e não negociável. Paolo Airaghi, engenheiro eletrónico com especialidade em automática, licenciado no Politecnico di Milano, naqueles anos ainda não estava na KONE — trabalhava na Mitrol, uma empresa de controlos numéricos para máquinas-ferramenta — mas acompanhou o lançamento do KONE MonoSpace® por um amigo: “Um grande amigo trabalhava na KONE e falava-me de uma solução revolucionária. E foi mesmo assim que aconteceu.”

A decisão de engenharia fundamental da KONE foi miniaturizar o sistema de tração. Para eliminar a sala acima da caixa do elevador, não bastava deslocar os componentes: era preciso reinventar o motor de raiz. O lançamento foi o resultado de uma visão radical baseada na integração da máquina diretamente na caixa através da fixação à guia do elevador. Uma escolha que resolveu dois problemas críticos de uma só vez: por um lado eliminou o volume arquitetónico externo, libertando o último piso e a cobertura dos edifícios; por outro aumentou a eficiência mecânica global, eliminando as perdas de energia típicas dos sistemas complexos de desvio presentes nos sistemas tradicionais de tração.

A estreia mundial da tecnologia Machine Room-Less

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O lançamento oficial de 1996 marcou o momento em que a tecnologia Machine Room-Less, conhecida pelo acrónimo MRL, se tornou realidade comercial. O protagonista absoluto foi o motor KONE EcoDisc: uma unidade de tração síncrona de ímanes permanentes, fina e discoidal, tão compacta que podia ser instalada no interior da caixa padrão do elevador. Apesar do cepticismo inicial da concorrência, as vantagens foram imediatas. A maior disponibilidade de espaço e a redução dos custos de construção tornaram o elevador KONE MonoSpace® no padrão global em pouco tempo.

A medida de como o mercado mudava viu-se no impacto sobre a organização. O polo produtivo do grupo KONE junto ao Lago Maggiore, onde eram fabricadas as partes elétricas do novo sistema, conheceu em poucos anos um crescimento impressionante de volumes e de pessoas: “A estrutura empresarial estava consolidada, mas já não era suficiente,” conta Airaghi. “O departamento técnico trabalhava ainda de forma relativamente independente; com o crescimento procuravam um responsável que o reorganizasse, e em 2000 entrei eu.” A KONE transformava-se num dos líderes mundiais do sector e a organização tinha de correr para acompanhar o produto. Paradoxalmente, chegar de um mundo diferente revelou-se uma vantagem: “Para mim foi mais fácil do que para os outros,” recorda Airaghi, “porque vinha de outro sector, não sabia em pormenor como funcionava um elevador nem quais eram as suas particularidades técnicas: já estava no novo, não tinha preconceitos. Para os restantes colegas era completamente diferente, recordavam o estado de coisas anterior.”

O papel de Airaghi naqueles anos foi sobretudo o de ‘interface’ entre a investigação e desenvolvimento da casa-mãe finlandesa e a realidade italiana. Todos os meses uma viagem à Finlândia, num contexto que ainda hoje recorda com afeto: “Não lhe chamaria complicado, porque a casa-mãe era classicamente nord-europeia: muito ‘friendly’, acolhedora, disponível, atenta à relação vida-trabalho. Foi antes um choque geográfico e climático — a luz, na Finlândia, é realmente particular.” Um pormenor aparentemente secundário, que revela, na verdade o ADN de uma empresa capaz de transferir não só tecnologia mas também cultura de trabalho aos seus polos internacionais.

Para além do desafio técnico, a KONE enfrentou um complexo desafio regulamentar. Na altura, os regulamentos de segurança pressupunham a existência de uma casa de máquinas separada para as operações de reparação. A KONE trabalhou ativamente com os organismos competentes para redefinir as normas europeias, abrindo caminho a uma categoria de instalações que hoje representa a maioria das instalações mundiais. A solução foi elegante: graças à colaboração com um organismo certificador holandês conseguiu-se reconhecer o tejadilho da cabina no piso mais alto como nova “casa de máquinas” para efeitos de manutenção, com todas as dotações de segurança para o pessoal — incluindo parapeitos.

“Os organismos certificadores italianos e de outros países tiveram dificuldade em aceitar este conceito,” recorda Airaghi. “Tínhamos de ir explicá-lo caso a caso, mesmo estando tudo conforme à norma e bem-feito.” A mesma estranheza sentiram os técnicos no terreno, habituados desde sempre a trabalhar na casa de máquinas: como faço uma verificação, uma manutenção, a substituição de uma placa, se a casa de máquinas já não existe? “Os primeiríssimos KONE MonoSpace® tinham no patamar do piso mais alto uma pequena janela através da qual se via o motor, o quadro, a parte eletrónica. Com o passar dos anos a janela desapareceu. Não só para os técnicos, mas para toda a indústria era algo realmente revolucionário: o motor estava na caixa, acessível a partir do tejadilho da cabina.”

A arquitetura libertada da restrição técnica

Até meados dos anos 90 o projeto de um edifício de escritórios ou residencial estava, portanto, subordinado a uma restrição técnica incontornável: a casa de máquinas. Esta estrutura, frequentemente semelhante a uma torreta colocada sobre a caixa do elevador, representava uma pesada restrição arquitetónica que comprometia a silhueta urbana e a limpeza do design da cobertura. No seu interior ficavam volumosos cabrestantes de tração ou centrais hidráulicas que exigiam alturas adicionais do edifício.

Do ponto de vista de engenharia, a casa de máquinas implicava um aumento das cargas estáticas e dinâmicas no topo da estrutura, obrigando muitas vezes a sobredimensionar os elementos estruturais. A necessidade de ventilação natural e acessos dedicados fazia do último piso uma zona técnica pouco aproveitável para fins comerciais.

A introdução da tecnologia MRL — Machine Room Less — inverteu este paradigma. Ao transferir o sistema de tração e os quadros de manobra para o interior da caixa ou integrá-los no aro da porta, a KONE permitiu eliminar completamente este volume. E a reação de quem desenhava os edifícios foi, muitas vezes, de espanto alegre: “Uma das coisas mais divertidas era falar com os projetistas, os arquitetos, os engenheiros,” conta Airaghi. “Não sabiam o que fazer daquele espaço. Podiam transformá-lo numa sala extra para a empresa de limpeza ou no que quisessem. Estavam contentes.”

A recuperação do espaço permite hoje transformar os antigos locais técnicos em área bruta arrendável (GLA), ou em áticos de luxo e zonas verdescomuns que aumentam significativamente o valor de mercado do imóvel. Mas a vantagem mais concreta viu-se nos edifícios históricos e nos prédios mais antigos, onde a casa de máquinas original já nem sequer cumpria as normas de altura: poder simplesmente eliminá-la revelou-se a verdadeira solução. “Recordo alguns prédios onde a antiga casa de máquinas tornou-se no local da empresa de limpeza,” sorri Airaghi. “E um dos casos de que me recordo com mais gosto é um KONE MonoSpace® instalado no Altar da Pátria, em Roma, precisamente porque não exigia uma casa de máquinas.”

KONE EcoDisc: o centro da revolução

O motor KONE EcoDisc é o elemento que permitiu a mudança arquitetónica moderna. Ao contrário dos motores tradicionais, o EcoDisc é um sistema de tração síncrona de ímanes permanentes com um design em disco extremamente compacto. Os ímanes geram uma força de atração constante e precisa, eliminando a necessidade de engrenagens de redução segundo o sistema gearless. Esta configuração reduz drasticamente os atritos mecânicos e as dispersões de calor. Tratando-se de um motor de tração direta, a pólia é solidária ao rotor: a energia é transferida aos cabos sem passagens intermédias, garantindo um controlo milimétrico do movimento e uma redução das vibrações percetíveis na cabina. A sua forma plana permite a instalação ancorada às guias da caixa, transformando um componente meânico num elemento integrado e silencioso da estrutura do edifício.

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Trinta anos após o lançamento, a arquitetura de fundo: “Do projeto original permanece o facto de o motor ser um motor axial, plano, que pode ser alojado no interior da caixa,” explica Airaghi. Mas a tecnologia subjacente deu passos enormes. Os ímanes permanentes de nova geração permitiram reduzir ainda mais as dimensões e aumentar a eficiência energética. E os acionamentos — os ‘drives’ e os variadores de frequência que alimentam o motor — tornaram-se regenerativos. “Um elevador tem cabina e contrapeso: quando é preciso travar, gera-se energia. Antes essa energia era dissipada pelas resistências; hoje é transformada em energia elétrica, acumulada ou devolvida à rede. Os consumos reduziram-se até 70%.”

Vantagens operativas para os grandes edifícios

Para um complexo de escritórios ou um edifício de alto tráfego, a escolha de um sistema MRL traduz-se em vantagens concretas ao longo de todo o ciclo construtivo. Eliminar a torreta na cobertura significa, antes de mais, aliviar a estrutura — menos cargas estáticas no topo, sem sobredimensionamentos em cascata sobre os elementos portantes — e, por consequência, simplificar a logística de obra : sem um local técnico a construir, ventilar e tornar acessível, os tempos de instalação encurtam-se sensivelmente. A terceira vantagem é menos visível, mas talvez a mais decisiva para a qualidade percebida do imóvel: um motor de tração direta, solidário ao rotor e ancorado às guias, garante um conforto de marcha superior, com níveis de silêncio e suavidade que distinguem de imediato uma instalação moderna de uma tradicional.

Sustentabilidade e valor do ativo imobiliário

Hoje em dia, a sustentabilidade é um requisito de mercado e um ativo financeiro prioritário. Para quem investe em grandes edifícios, a eficiência é um parâmetro concreto que se traduz em protocolos rigorosos como LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) e BREEAM (Building Research Establishment Environmental Assessment Method). Estes padrões avaliam o ciclo de vida completo do edifício, indo muito além do simples consumo elétrico instantâneo.

Neste cenário, um elevador KONE MonoSpace® contribui ativamente para a obtenção dos créditos previstos pelos protocolos internacionais, otimizando o consumo mediante tecnologias de recuperação energética — as mesmas que transformam a energia de travagem em eletricidade reutilizável pelo próprio edifício, atingindo a redução do consumo de 70% que Airaghi refere. Paralelamente, a redução da pegada ecológica melhora os parâmetros ESG — Environmental, Social and Governance — do imóvel, tornando-o atrativo para os grandes investidores institucionais.

Do produto à solução: People Flow®

O modo como a KONE leva o KONE MonoSpace® e as suas evoluções ao mercado mudou tanto como o próprio produto. Hoje Airaghi, como Tendering & Solution Director, acompanha todo o desenvolvimento da solução — elevadores, escadas rolantes, sistemas integrados — desde as fases preliminares: “A KONE intervém já nos estudos de projeto e arquitetura. Pensa-se nas dimensões dos espaços, no fluxo quantitativo de pessoas, onde colocar os elevadores, nas horas de ponta, no tráfego específico do edifício. Um hotel, por exemplo, tem um pico à hora do pequeno-almoço que um escritório não tem.” É o conceito de people flow: o elevador não como objeto em si, mas como variável de um sistema mais amplo a projetar em conjunto com quem desenha o edifício. Daí nasce uma oferta que reúne produtos, soluções técnicas e económicas — e que exige também uma colaboração estreita com o departamento comercial.

Em trinta anos, o conceito original evoluiu para a série de elevadores KONE DX, acrónimo de Digital Experience. O elevador transformou-se de elemento mecânico isolado num sistema aberto e ligado. Graças às API integradas de série, o equipamento comunica com outros sistemas do edifício, como o controlo de acessos ou as aplicações para os inquilinos: uma arquitetura que torna o elevador parte integrante do ecossistema digital do edifício, facilitando a gestão dos fluxos nas modernas smart cities.

É uma transformação que Airaghi observa a partir do seu atual papel de Tendering & Solution Director com um olhar técnico preciso: “A possibilidade de interagir com outros sistemas digitais abre milhões de possibilidades. Do lado da empresa, é possível ligar-se ao elevador, ver o seu estado de funcionamento, ler mesmo apenas os tempos de abertura e fecho das portas: se abrandam, talvez haja sujidade ou desgaste. Do lado dos utilizadores, podem chamar o elevador a partir da sua app, ou fazê-lo interagir com robôs.” Os casos concretos não faltam: “Penso nos hospitais, onde robôs dedicados transportam separadamente roupa limpa e suja — o hospital de Varese é um exemplo de integração em grande escala. Ou em alguns hotéis, onde pequenos robôs fazem entregas nos quartos, também por razões de segurança.”

A integração digital permite ainda ultrapassar o antigo modelo de manutenção reativa. Por uma estratégia preditiva, os sensores monitorizam em tempo real os parâmetros vitais, identificando possíveis anomalias antes que provoquem uma paragem do equipamento. Esta tecnologia encontra a sua aplicação prática nos KONE 24/7 Connected Services: o sistema analisa constantemente os ciclos de abertura das portas, as vibrações e as temperaturas, fornecendo indicações precisas ao pessoal técnico para intervenções dirigidas a prevenir as avarias. Passámos à manutenção preditiva. Em edifícios de alto tráfego, garantir fluxos de movimento constantes otimiza os custos de gestão a longo prazo e elimina as ineficiências típicas da manutenção tradicional por chamada.

A esta abertura digital corresponde naturalmente uma nova atenção à segurança informática, que Airaghi, enquanto Presidente da Comissão Técnica da AssoAscensori, acompanha com interesse: “Acompanhando também a nova regulamentação europeia na matéria, o trabalho de investigação e desenvolvimento estende-se da mecânica à informática. É mais uma dimensão do produto, na qual trabalhamos continuamente.” Uma evolução coerente com a história do KONE MonoSpace®: tal como há trinta anos o desafio era repensar a mecânica da caixa, hoje estende-se também à arquitetura digital que a envolve.

As soluções da KONE para responder aos desafios das smart cities

A evolução do elevador KONE MonoSpace® DX demonstra como a inovação técnica só é verdadeiramente eficaz quando simplifica as fases de projeto, construção e gestão. Em cenários urbanos cada vez mais densos, os princípios introduzidos há trinta anos continuam a definir sistemas que integram flexibilidade arquitetónica e infraestrutura digital. Hoje a família DX da KONE é o resultado maduro dessa visão, declinada para tipologias de edifício muito diferentes entre si.

Para o residencial e os escritórios, o KONE MonoSpace® DX continua a ser a resposta natural: sem casa de máquinas, conetividade de série, otimização dos volumes. Quando entram em jogo arranha-céus, hotéis de categoria alta ou torres de escritórios — edifícios no qual a velocidade de marcha e a gestão do tráfego nas horas de ponta tornam-se variáveis críticas — a KONE propõe o MiniSpace® DX, uma solução com casa de máquinas compacta que mantém o espírito MRL acrescentando as prestações exigidas pela grande altura. A lógica muda novamente quando o que se move não são pessoas, mas mercadorias: o TranSys® DX leva a filosofia sem casa de máquinas ao mundo dos monta-cargas, com capacidades de carga elevadas e a mesma conetividade integrada dos elevadores de passageiros.

Como coluna vertebral transversal a estes produtos existe, finalmente, uma plataforma de serviço, não um produto no sentido clássico: os KONE 24/7 Connected Services — a plataforma de monitorização baseada na análise de dados que viabiliza a manutenção preditiva de que já se falou. É o traço que melhor conta a trajetória destes trinta anos: de revolucionar um objeto, a redesenhar o serviço que o rodeia.

Olhando para os próximos trinta anos, Airaghi identifica duas grandes frentes de trabalho. A primeira é uma conetividade cada vez mais extensa, capaz de integrar elevadores e escadas rolantes com o resto da cidade — o transporte urbano, a mobilidade de bairro — para tornar as deslocações verdadeiramente fluidas. A segunda está ligada ao envelhecimento da população e à acessibilidade: “Apenas no contexto italiano, a título de exemplo, ainda existem vários prédios com mais de três pisos sem elevador, ou com barreiras arquitetónicas, ainda que apenas de alguns degraus. A acessibilidade, a usabilidade e a fiabilidade têm de melhorar.” É um tema que, com matizes diferentes, é comum a todos os países europeus: as legislações nacionais sobre acessibilidade — pensadas numa época em que a tecnologia oferecia menos soluções — encontram-se hoje a dialogar com padrões europeus mais evoluídos e com uma procura social crescente. Cada país percorre o seu próprio caminho de atualização, com os seus tempos e as suas especificidades.

A KONE compromete-se com o desenvolvimento contínuo de soluções inovadoras para a melhoria dos seus serviços e produtos, para responder aos atuais desafios da urbanização e da mobilidade vertical no interior das smart cities. Trinta anos depois daquele lançamento de 1996, a lição do KONE MonoSpace® mantém-se atual: a verdadeira inovação nunca é apenas técnica, mas sim a capacidade de fazer mudar de ideias — quem projeta, quem constrói, quem certifica — sobre aquilo que até ao dia anterior parecia impossível.

Quem é Paolo Airaghi

img_Paolo Airaghi Engenheiro eletrónico com especialidade em automática, licenciado no Politecnico di Milano em 1990, Paolo Airaghi é Tendering & Solution Director da KONE Italia e Presidente da Comissão Técnica da AssoAscensori (ANIE Federazione). Entrou na KONE em 2000 como responsável do departamento técnico e acompanhou o KONE MonoSpace® na sua fase de consolidação global, com experiências em Direction Technology Italy e Global Sourcing (Shanghai) antes de assumir o atual cargo. Hoje dirige o desenvolvimento das soluções completas — elevadores, escadas rolantes, people flow — desde a fase preliminar de projeto até à oferta técnica e económica ao cliente.

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